Terça-feira, Agosto 19, 2008
Sou toda luxúria
Nessa manhã de sol
Acordei bemol
Em meio a teorias e regras
Estou presa ao desejo
de lamber
morder
beijar
gritar
gemer
chorar
Isso diz respeito às coisas do mundo
e à língua
Sou eu mesma flor e pele
E me alicio.

Fabiola Barreto
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6:14 PM
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O sol bate em minha face
Tenho óculos escuros
Acordo antes do relógio
Meu olhar travou
A cama oferece um lugar vazio
O telefone não me chama
Mesmo assim pago a conta
Ele me conta das lentilhas
Que amanhã comerei
Costuro as horas
Faço versos
Como quem vive.
Fabiola Barreto
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6:12 PM
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Falas de amor
E não me amas
Não me tocas
Os teus beijos
Me secaram
A tua língua áspera
Arrancou a minha pele
Rio com você e de mim
Caminho a passos lentos
No amanhã que irá doer
Me desenhas
Inodora, incolor, insípida.
No céu haverá sexo?
Fabiola Barreto
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6:11 PM
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O ponteiro do relógio me acertou
Por isso não olho mais o espelho
Vejo-me por dentro
E me julgam o exterior
Procuro poções e alquimias
Para me manter ausente
Mas ouço o retinir
tique-taque tique-taque
Confundo-me às vezes
Perco a ampulheta
Encaro o não-lugar
Que só eu vejo
Troco de pele
Permaneço invisível.
Fabiola Barreto
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6:09 PM
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