Domingo, Outubro 26, 2008
Qual o nome do amor
Senti o seu nome em meu coração,
Era o amor afinal que veio sem dizer,
Me sinto mais seu, cada vez menos eu,
Não sei entender como pôde acontecer,
Eu, um vagabundo qualquer
Preso a um amor de mulher.
Não sei se fico ou se vou afinal
Senti um aperto em meu coração,
Era loucura afinal de amar sem querer.
Sem justiça, sem paz, sem razão nem por quê.
O amor me pegou e o que posso fazer?
Se de mim já não sou,
Não me cabe dizer,
Se vivo no mundo ou pertenço a você
Senti uma paz em meu coração,
É o que posso fazer de amar sem doer.
Sem contos de fadas ou frases marcadas,
Ela me seduziu com caricias de amor.
Qual o nome do amor que eu já não sei.
Procurar no bar ou na oração, e já não sei dizer,
Se ele é do mundo mergulhado na dor ou se é divino e se faz esplendor.
(Tas)
Fabiola Barreto
-
7:43 AM
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Segunda-feira, Setembro 29, 2008
Não sei se era noite de lua cheia.
Podia-se ver o mar e sentir a brisa fria, aplacada apenas pela roupa de lã.
Sentada num barquinho emborcado e encalhado na areia.
Ela sorria e pensava, enquanto tomava mais um gole daquele vinho amargo: encalhada estava ela.
Depois do segundo copo, o vinho já descia macio e os goles eram mais ligeiros e urgentes.
Urgente também era a vontade do ósculo de boca,
trocado pela primeira vez, entre uma ida e vinda da onda do mar...
Com mais tempo foram-se descobrindo e hoje, um ano após, o mar continua brilhante,
a onda vai e vem cem mil vezes sem fim; a lua, lá no alto, contempla e ri;
apenas um deles se lembra, com gosto amargo do vinho entre os lábios.
Fabiola Barreto
-
9:20 PM
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Terça-feira, Setembro 09, 2008
Choro sem motivo
Não me sinto nem um pouco amada
Sou a última das pessoas
A suja, a desprezada, a mais indigna
Vontade de não mais existir...
Mas isso tem explicação
E um nome, com três letras:
TPM
Será que amanhã passa?

Fabiola Barreto
-
8:46 PM
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Quinta-feira, Setembro 04, 2008
DESCONSTRUÇÃO
Roubaram a minha infância
Tiraram o cheiro da comida da esquina
Os olhos verdes que espreitavam à janela
O sal que corroia a tudo
Mas também trazia os viajantes de longes lugares
O que existe agora é graxa, máquinas, carros
Tiraram o barulho da minha infância
O boneco mascarado que transitava pela rua
Na semana santa
O menino tocando triângulo anunciando o néctar da gueixa
O homem que passava fabricando fogo e distribuindo doces
Em seu lugar há silêncios roucos e vazios
Venderam o escritor da minha infância
Não há mais índios, alta sociedade, nem povo da fazenda
Pessoas não conversam mais na calçada
As janelas já não espiam o que se passa lá fora
A chuva não faz mais festa nas bicas
Em seu lugar há portas de rolo e cadeados
Estreitaram a rua da minha infância
Só a igreja continua imponente
Mas o mercado parece casa de bonecas
Na praça não se passeia mais
O cinema fechou
Em vez da música no rádio há o eco no ouvido
Por favor, devolvam a minha infância
Dêem voz a ela
Tirem-lhe as cadeias
A minha infância está perdida
E fotos, sonhos e lembranças
E o que restou daquele tempo?
EU!
Fabiola Barreto
-
1:34 PM
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Terça-feira, Agosto 19, 2008
Sou toda luxúria
Nessa manhã de sol
Acordei bemol
Em meio a teorias e regras
Estou presa ao desejo
de lamber
morder
beijar
gritar
gemer
chorar
Isso diz respeito às coisas do mundo
e à língua
Sou eu mesma flor e pele
E me alicio.

Fabiola Barreto
-
6:14 PM
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O sol bate em minha face
Tenho óculos escuros
Acordo antes do relógio
Meu olhar travou
A cama oferece um lugar vazio
O telefone não me chama
Mesmo assim pago a conta
Ele me conta das lentilhas
Que amanhã comerei
Costuro as horas
Faço versos
Como quem vive.
Fabiola Barreto
-
6:12 PM
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Falas de amor
E não me amas
Não me tocas
Os teus beijos
Me secaram
A tua língua áspera
Arrancou a minha pele
Rio com você e de mim
Caminho a passos lentos
No amanhã que irá doer
Me desenhas
Inodora, incolor, insípida.
No céu haverá sexo?
Fabiola Barreto
-
6:11 PM
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O ponteiro do relógio me acertou
Por isso não olho mais o espelho
Vejo-me por dentro
E me julgam o exterior
Procuro poções e alquimias
Para me manter ausente
Mas ouço o retinir
tique-taque tique-taque
Confundo-me às vezes
Perco a ampulheta
Encaro o não-lugar
Que só eu vejo
Troco de pele
Permaneço invisível.
Fabiola Barreto
-
6:09 PM
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Segunda-feira, Julho 14, 2008
Dentro em mim
há uma tempestade
Meu corpo cansado anseia pelo sono do esquecimento
Meus olhos me traem.
Meu espírito se revira
tem sede de sobrevivência
Mas a sobrevida que tenho proporcionado
implora por um pouco de água, pão e carinho.
Meu barco caminha para um abismo
onde pedras batem em minha cabeça
e machucam meus pés
Por isso não calo mais.
Joguei todas as minhas cartas virtuais
perdendo a paciência
Mas finalmente chove em mim
Meus planos ainda estão embrulhados
Sou uma nau de mágoas e insônia
Que tenta um equilíbrio em meio às vagas.
Fabiola Barreto
-
1:20 AM
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Sexta-feira, Novembro 16, 2007
Estou toda em carne viva
Perdi a casca
E permito que me firam
Experimento sensações novas
Que adormeciam em mim
Guardei-me a vida inteira
E agora transgrido minha própria lei
Passo por cima de mim sem remorsos
Por vezes acho que deveria voltar
Mas vou me deixando ficar
Com meus pés machucados
Meu corpo todo arde
Antes nada sentia
- Era vazia
Preciso me doer!
Fabiola Barreto
-
7:26 PM
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